Como medida de desburocratização da abertura e encerramento de empresas, o Governo Federal lançou ontem [26/02/2015] o projeto Bem Mais Simples, para empresas inscritas no sistema Simples.
De imediato o programa vai facilitar o encerramento das empresas que possuem débitos tributários, medida esta que já foi implantada no Distrito Federal em caráter de teste desde Outubro de 2014. O pedido de encerramento será feito de forma digital, solicitado através da internet e os débitos da pessoa jurídica serão repassados diretamente para seus responsáveis legais, diminuindo drásticamente o prazo deste processo que atualmente é de um ano.
Para facilitar a abertura da empresa, parte do projeto que está prevista para junho de 2015, o programa prevê a unificação de diferentes cadastros exigidos às empresas tais como, inscrições estadual e municipal, vigilância sanitária, inspeção dos bombeiros, entre outros, o que vai reduzir o prazo de abertura da empresa para 5 dias.
Em discurso o ministro da Micro e Pequena Empresa, Guilherme Afif, disse que a burocracia no Brasil para este processo "acaba beirando o ridículo", e ressaltou que com este excesso de procedimentos o brasileiro empreendedor continua "por debaixo do pano" e reforça que "quanto mais exigências, mais informalidades".
A presidente Dilma Rousseff, que também discursou no evento, cobrou uma ação integrada dos ministérios para eliminar os trâmites burocráticos desnecessários que afetam as empresas.
"Criamos a obrigação de todos os ministérios de tomar um conjunto de atitudes no prazo até abril, de apresentar aquilo que pode ser reduzido a pó. Aquilo que não vai funcionar mais. E ao, mesmo tempo, todos os processos e sugestões para que possamos ter um cronograma. Os ministros hoje já saem daqui com uma tarefa. Até 20 de abril deverão apresentar uma lista com todos os normativos existentes em suas áreas que foram superados e devem e podem ser eliminados de imediato", disse a presidente.
A questão agora é com esta facilidade projetada pelo Governo Federal, será que todos os que terão acesso a nova vida de "empresário" terá o conhecimento suficiente para dirigir uma empresa, mesmo que de micro ou pequeno porte? Alguns cuidados deverão ser tomados, pois como informado anteriormente, os compromissos assumidos como pessoa jurídica, em caso de encerramento da empresa, serão direcionados para as pessoas físicas responsáveis. Há de se tomar os devidos cuidados, e buscar o mínimo de conhecimento necessário para este processo. E o Brasil tem o Sebrae que dá suporte aos micro e pequenos empreendedores com excelentes cursos preparatórios que são de imprescindível valor para aqueles que desejam colocar em prática a sua criatividade.
Fontes:
http://www.valor.com.br/politica/3929002/dilma-lanca-programa-bem-mais-simples-para-empresas [27/02/2015]
http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/02/governo-lanca-programa-para-agilizar-abertura-e-fechamento-de-empresas.html [27/02/2015]
http://www.sebrae.com.br/sites/PortalSebrae/tipoconteudo/empreendedorismo?codTema=2 [27/08/2015]
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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2015
quinta-feira, 12 de fevereiro de 2015
O Brasil e a Grande Depressão
A Crise de 1929 atingiu em cheio a
economia do Brasil, muito dependente das exportações de um único produto, o
café. Mas, mais do que gerar dificuldades econômicas, ela provocou uma mudança
no foco de poder no país, acabando com um pacto político interno que já durava
mais de trinta anos.
Entre os anos de 1894 e 1930, o
presidente da República foi eleito pelos paulistas barões do café num mandato,
e no outro pelos pecuaristas mineiros. Era a chamada política do café com leite,
viabilizada pela hegemonia da oligarquia cafeeira paulista na época e que
garantiu a formação de uma economia agrícola praticamente mono exportadora no
país.
Em 1929, a quebra nos mercados
acionários do mundo provocou uma forte queda nos preços internacionais das
commodities. "O Brasil era fortemente dependente das exportações de café,
e tinha uma enorme dívida externa, que precisava ser financiada com essas
vendas", afirma o professor de História Econômica da FEA-USP, Renato
Colistete.
Além da queda nos preços, a crise
provocou uma diminuição na renda e no consumo no mundo todo, prejudicando ainda
mais as vendas de café. As exportações do produto, que chegaram a US$ 445
milhões em 1929, caíram para US$ 180 milhões em 1930. A cotação da saca no
mercado internacional, caiu quase 90% em um ano.
Fogueira
Na tentativa de conter a queda, o
governo federal comprou grande parte dos estoques dos produtores, e queimou 80
milhões de sacas do produto. "A ideia era queimar para diminuir a oferta e
aumentar o preço internacional, porque o Brasil era o maior país
exportador", segundo Marcos Fernandes, coordenador do Centro de Estudos
dos Processos de Decisão da FGV-SP.
"A crise arruinou a oligarquia
cafeeira, que já sofria pressões e contestações dos diferentes grupos urbanos e
das oligarquias dissidentes de outros Estados, que almejavam o controle
político do Brasil", explica Wagner Pinheiro Pereira, doutor em História
pela USP e autor do livro "24 de Outubro de 1929: A Quebra da Bolsa de
Nova York e a Grande Depressão".
Poder
O que aconteceu, então, foi que o foco
do poder no país foi deslocado para o gaúcho Getúlio Vargas, que se tornou
presidente da República após a Revolução de 1930. "Do ponto de vista
político, a crise foi importante porque desviou o foco do poder para Getúlio
Vargas e para um projeto de industrialização", diz Fernandes.
O novo presidente, porém, sabia que,
mesmo com o fim da oligarquia paulista, o café não podia ser deixado de lado.
Assumiu, então, uma nova política de defesa da cafeicultura, na tentativa de
equilibrar os preços e evitar a superprodução.
"Não podemos esquecer que Getúlio
era o pai dos pobres e a mãe dos ricos", diz Fernandes. "Ele tratou
de não romper tão radicalmente com a oligarquia agrícola, e o café continuou
sendo importante no Brasil. Isso começa a mudar mesmo a partir de Juscelino
Kubitschek e, principalmente, a partir do Golpe de 1964."
A Grande Depressão, porém, dificultou
os esforços do governo para ajudar o café e "somente no final da década de
1930 o café começou a recuperar os bons preços nos mercados
internacionais", segundo Pereira.
Fonte: http://www.universitario.com.br/noticias/n.php?i=9343, visto em 12/02/2015
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